Arquitetura brutalista: 12 obras que trazem as características do estilo

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos. Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui. Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais. O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo. Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra, a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes. Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas. Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática. É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares. Nesse estilo de edificação, não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero. Arquitetura brutalista brasileira internacional: obras marcantes Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel. Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com 213 apartamentos. Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo: 1 - Unité d’Habitation (França) Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França, iniciado em 1947 e concluído em 1952. Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes . 2 - Trellick Tower (Inglaterra) Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares. A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino. 3 - The Barbican (Inglaterra) Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital. Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante. Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão. 4 - Western City Gate (Sérvia) Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares. A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo. 5 - Habitat 67 (Canadá) Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias. O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego. Wikimedia Commons 6 - Edificio J. Edgar Hoover (FBI - Chicago) Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários. 7 - Prefeitura de Boston (EUA) Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960. O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade. 8 - Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP) A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares. O edifício quadrado, edificado com concreto armado aparente, tem 3 pavimentos e é sustentado por colunas ocas. 9 - Sesc Pompeia (São Paulo) O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural. O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada. 10 - Prédio da FAU/USP O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista. O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade. O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária. 11 - MASP (SP) O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista. 12 - MAM (RJ) Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país. Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy.
The Barbican (Foto Freepik)

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos.

Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui.

Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução

O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais.

O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo.

Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra,  a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes.

Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas.

Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática.

É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares.

Nesse estilo de edificação,  não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. 

Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero.

Arquitetura brutalista brasileira e internacional: obras marcantes

Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel.

Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. 

Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com  213 apartamentos.

Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo:

1 – Unité d’Habitation (França)

Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França,  iniciado em 1947 e concluído em 1952. 

Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes .

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos. Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui. Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais. O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo. Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra, a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes. Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas. Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática. É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares. Nesse estilo de edificação, não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero. Arquitetura brutalista brasileira internacional: obras marcantes Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel. Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com 213 apartamentos. Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo: 1 - Unité d’Habitation (França) Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França, iniciado em 1947 e concluído em 1952. Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes . 2 - Trellick Tower (Inglaterra) Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares. A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino. 3 - The Barbican (Inglaterra) Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital. Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante. Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão. 4 - Western City Gate (Sérvia) Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares. A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo. 5 - Habitat 67 (Canadá) Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias. O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego. Wikimedia Commons 6 - Edificio J. Edgar Hoover (FBI - Chicago) Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários. 7 - Prefeitura de Boston (EUA) Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960. O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade. 8 - Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP) A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares. O edifício quadrado, edificado com concreto armado aparente, tem 3 pavimentos e é sustentado por colunas ocas. 9 - Sesc Pompeia (São Paulo) O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural. O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada. 10 - Prédio da FAU/USP O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista. O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade. O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária. 11 - MASP (SP) O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista. 12 - MAM (RJ) Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país. Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy.
Foto Wikimedia Commons

2 – The Barbican (Inglaterra)

Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital.

Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante.

Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão.

3 – Trellick Tower (Inglaterra)

Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares.

A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino.

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos. Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui. Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais. O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo. Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra, a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes. Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas. Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática. É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares. Nesse estilo de edificação, não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero. Arquitetura brutalista brasileira internacional: obras marcantes Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel. Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com 213 apartamentos. Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo: 1 - Unité d’Habitation (França) Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França, iniciado em 1947 e concluído em 1952. Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes . 2 - Trellick Tower (Inglaterra) Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares. A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino. 3 - The Barbican (Inglaterra) Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital. Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante. Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão. 4 - Western City Gate (Sérvia) Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares. A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo. 5 - Habitat 67 (Canadá) Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias. O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego. Wikimedia Commons 6 - Edificio J. Edgar Hoover (FBI - Chicago) Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários. 7 - Prefeitura de Boston (EUA) Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960. O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade. 8 - Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP) A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares. O edifício quadrado, edificado com concreto armado aparente, tem 3 pavimentos e é sustentado por colunas ocas. 9 - Sesc Pompeia (São Paulo) O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural. O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada. 10 - Prédio da FAU/USP O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista. O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade. O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária. 11 - MASP (SP) O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista. 12 - MAM (RJ) Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país. Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy.
Foto Wikipedia

4 – Western City Gate (Sérvia)

Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares.

A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo.

5 – Habitat 67 (Canadá)

Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias.

O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego.

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos. Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui. Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais. O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo. Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra, a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes. Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas. Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática. É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares. Nesse estilo de edificação, não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero. Arquitetura brutalista brasileira internacional: obras marcantes Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel. Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com 213 apartamentos. Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo: 1 - Unité d’Habitation (França) Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França, iniciado em 1947 e concluído em 1952. Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes . Wikimedia Commons (divulgação) 2 - Trellick Tower (Inglaterra) Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares. A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino. Foto Wikipedia 3 - The Barbican (Inglaterra) Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital. Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante. Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão. 4 - Western City Gate (Sérvia) Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares. A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo. 5 - Habitat 67 (Canadá) Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias. O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego. Wikimedia Commons 6 - Edificio J. Edgar Hoover (FBI - Chicago) Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários. 7 - Prefeitura de Boston (EUA) Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960. O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade. 8 - Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP) A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares. O edifício quadrado, edificado com concreto armado aparente, tem 3 pavimentos e é sustentado por colunas ocas. 9 - Sesc Pompeia (São Paulo) O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural. O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada. 10 - Prédio da FAU/USP O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista. O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade. O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária. 11 - MASP (SP) O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista. 12 - MAM (RJ) Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país. Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy.
Foto Wkimedia Commons

6 – Edificio J. Edgar Hoover (FBI – Chicago)

Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. 

No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários.

7 – Prefeitura de Boston (EUA)

Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960.

O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade.

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos. Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui. Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais. O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo. Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra, a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes. Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas. Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática. É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares. Nesse estilo de edificação, não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero. Arquitetura brutalista brasileira internacional: obras marcantes Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel. Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com 213 apartamentos. Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo: 1 - Unité d’Habitation (França) Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França, iniciado em 1947 e concluído em 1952. Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes . 2 - Trellick Tower (Inglaterra) Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares. A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino. 3 - The Barbican (Inglaterra) Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital. Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante. Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão. 4 - Western City Gate (Sérvia) Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares. A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo. 5 - Habitat 67 (Canadá) Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias. O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego. Wikimedia Commons 6 - Edificio J. Edgar Hoover (FBI - Chicago) Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários. 7 - Prefeitura de Boston (EUA) Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960. O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade. 8 - Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP) A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares. O edifício quadrado, edificado com concreto armado aparente, tem 3 pavimentos e é sustentado por colunas ocas. 9 - Sesc Pompeia (São Paulo) O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural. O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada. 10 - Prédio da FAU/USP O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista. O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade. O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária. 11 - MASP (SP) O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista. 12 - MAM (RJ) Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país. Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy.
Foto Freepik

8 – Sesc Pompeia (São Paulo)

O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural.

O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada.

Sua estética crua destaca pilares, um visual de obra inacabada e o conceito puro da arquitetura: a construção de espaços de forma organizada e ordenada para acomodar atividades humanas

9 – Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP)

A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares.

O edifício, construído com concreto armado aparente e muitos vidros, é sustentado por colunas ocas.

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos. Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui. Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais. O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo. Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra, a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes. Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas. Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática. É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares. Nesse estilo de edificação, não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero. Arquitetura brutalista brasileira internacional: obras marcantes Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel. Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com 213 apartamentos. Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo: 1 - Unité d’Habitation (França) Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França, iniciado em 1947 e concluído em 1952. Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes . 2 - Trellick Tower (Inglaterra) Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares. A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino. 3 - The Barbican (Inglaterra) Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital. Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante. Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão. 4 - Western City Gate (Sérvia) Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares. A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo. 5 - Habitat 67 (Canadá) Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias. O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego. Wikimedia Commons 6 - Edificio J. Edgar Hoover (FBI - Chicago) Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários. 7 - Prefeitura de Boston (EUA) Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960. O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade. 8 - Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP) A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares. O edifício quadrado, edificado com concreto armado aparente, tem 3 pavimentos e é sustentado por colunas ocas. 9 - Sesc Pompeia (São Paulo) O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural. O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada. 10 - Prédio da FAU/USP O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista. O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade. O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária. 11 - MASP (SP) O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista. 12 - MAM (RJ) Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país. Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy.
Foto divulgação

10 – Prédio da FAU/USP

O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista.

O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade.

O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária.

11 – MASP (SP)

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista.

12 – MAM (RJ)

Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país.

Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy.

A arquitetura brutalista traz edifícios imponentes, porém, nem sempre despertam de imediato a paixão de todas as pessoas devido a suas formas mais pesadas e sem adornos. Suas características têm a ver com o momento social e econômico vivido por diversos países onde esse estilo arquitetônico floresceu. Conheça mais aqui. Brutalismo: arquitetura marcada pela hora da reconstrução O termo brutalismo surgiu do francês berton brut, que significa concreto bruto. Derivado da arquitetura moderna, a arquitetura brutalista esteve em alta entre os anos de 1950 e 1980, muito popular em projetos arquitetônicos institucionais, como escolas, órgãos públicos e também em projetos habitacionais. O estilo mais “bruto” sem acabamentos ou elementos decorativos nasceu justamente em um período de reconstrução das cidades dos países europeus após a Segunda Guerra Mundial. Portanto, na Europa Central e Oriental há muitos exemplos de edificações do estilo. Em total contraposição ao estilo ornamental criado na arquitetura antes da guerra, a ênfase era focar nos elementos funcionais das edificações ao invés de valorizar suas características estéticas. A aposta era em mais simplicidade e praticidade, com aplicação de materiais mais baratos e resistentes. Além disso, a necessidade também apontava para projetos que pudessem ser construídos rapidamente, com materiais fáceis de obter, por isso, o concreto entrou em cena. É interessante pensar que estava muito longe de existir a plataforma BIM, que permite construções mais rápidas e econômicas. Entre as características das obras da arquitetura brutalista, estão edificações com estilo geométrico, sem adornos, em blocos maciços na forma monolítica e com elementos modulares repetidos. Além disso, a paleta é predominantemente monocromática. É bastante comum que o brutalismo na arquitetura apresente estruturas suspensas, janelas que mais parecem buracos na parede e recortes bastante diferenciados e um tanto singulares. Nesse estilo de edificação, não há um compromisso em esconder os elementos da estrutura da obra, como vigas ou pilares. Mais tarde, a exposição desses elementos no estilo industrial ganhou certo charme. Porém, na arquitetura brutalista esses elementos não têm qualquer verniz estético. Com o tempo, esse estilo de arquitetura começou a ser considerado um estilo meio desajeitado, que muitos profissionais do setor fizeram questão de abandonar. Embora, seus defensores ainda costumem amar o estilo arquitetônico cru e áspero. Arquitetura brutalista brasileira internacional: obras marcantes Bem ao estilo ame ou odeie, há diversas edificações imponentes ao redor do mundo caracterizadas como brutalistas além da Europa, há exemplos também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Israel. Apesar de o Brasil não ter sido um território de guerra, o estilo também influenciou a arquitetura do país, com diversos projetos concebidos com as características típicas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da relevância da arquitetura brutalista para o contexto histórico, nos últimos anos, algumas obras brutalistas começaram a ser destruídas, como o edifício Robin Hood Gardens, em Londres, que tinha uma estrutura maciça de concreto, com 213 apartamentos. Vamos conhecer algumas delas no Brasil e no mundo: 1 - Unité d’Habitation (França) Renomado internacionalmente, o arquiteto e urbanista Le Corbusier foi quem consolidou o estilo a partir do projeto Unité d’Habitation, na França, iniciado em 1947 e concluído em 1952. Corbusier era um verdadeiro apaixonado pelas possibilidades do concreto e motivado pelas necessidades de moradia do pós-Guerra, Corbusier concebeu esse edifício como uma cidade-jardim vertical com capacidade para unidades independentes para 1.600 residentes . 2 - Trellick Tower (Inglaterra) Situada em Londres, a torre foi concluída em 1972, com um grande bloco com 31 andares. A estrutura de concreto foi concebida com 100 metros de altura, com elevadores e escadas separadas dos apartamentos. Passou por várias reformas, mas foi classificado como Grade II pelo patrimônio inglês. Sofreu um grande incêndio em 2017, mas ainda é um dos grandes exemplos de arquitetura brutalista no cenário londrino. 3 - The Barbican (Inglaterra) Também situado em Londres, o complexo habitacional moderno The Barbican foi projetado após um ataque aéreo no coração do distrito financeiro da capital. Onde só havia escombros, surgiram 2.000 apartamentos para abrigar trabalhadores, escolas, cinema e restaurante. Além do concreto como protagonista, muitos apartamentos ainda têm cozinhas originais com superfícies em aço inoxidável e banheiros com pias de mão. 4 - Western City Gate (Sérvia) Essa edificação em Belgrado é composta por duas torres de concreto ligadas no topo por uma ponte de dois andares. A aspereza do concreto monumental neste arranha-céu dá uma aparência de edificações vistas em produções de ficção científica. Na verdade, essa é uma característica que faz parte de Belgrado como um todo. 5 - Habitat 67 (Canadá) Situado em Montreal, o Habitat 67 também foi uma solução habitacional conceitual para resolver a questão das moradias. O edifício foi concebido com mais de 350 módulos iguais em concreto, que foram dispostos de uma forma diferente, que resultou em uma formação de 12 andares, edificados de uma forma suspensa que dá a impressão de uma brincadeira de montar do jogo de Lego. Wikimedia Commons 6 - Edificio J. Edgar Hoover (FBI - Chicago) Entre alguns exemplos de obras poderosas marcadas pelo estilo brutalista estão o edifício J. Edgar Hoover, conhecido por ser o quartel-general do FBI, em Chicago (EUA), projetado na década de 1960. No entanto, com o tempo, esse prédio maciço e monumental passou a ser pouco apreciado pelos milhares de funcionários e a mudança do FBI de casa começou a tomar conta dos noticiários. 7 - Prefeitura de Boston (EUA) Diante do declínio econômico do pós-Guerra, o edifício monumental da Prefeitura de Boston também foi concebido na década de 1960. O prédio, projetado por Gerhard Kallmann e Michael McKinnell, recebeu grande influência do estilo de Le Corbusier, apresenta módulos angulares e salientes, e tem fachada em estilo de grade. 8 - Tribunal de Contas do Município de São Paulo (SP) A arquitetura brutalista paulista tem exemplos de edificações expressivas como o Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Reserva todas as características próprio da arquitetura, inclusive os recortes singulares. O edifício quadrado, edificado com concreto armado aparente, tem 3 pavimentos e é sustentado por colunas ocas. 9 - Sesc Pompeia (São Paulo) O Sesc Pompeia (São Paulo -SP) é um exemplo de arquitetura brutalista no Brasil. Foi a arquiteta Lina Bo Bardi a encarregada de transformar uma fábrica de tambores em um complexo cultural. O prédio apresenta grandes estruturas em concreto, com paredes sem acabamento, com materiais simples, apenas jateadas com areia. Além disso, suas torres de concreto rígido são ligadas por passarelas aéreas e entrecruzadas. Na concha externa, a antiga estrutura de madeira da ex-fábrica ainda pode ser visualizada. 10 - Prédio da FAU/USP O prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) também foi concebido no estilo brutalista. O prédio traz concreto bruto, vidro e linhas simples, com ênfase em integração de espaços e funcionalidade. O prédio é sustentado por pilares, que são levemente apoiados no chão, e têm forma de trapézios. Não há portas de entrada para marcar a grande liberdade de movimentação da instituição universitária. 11 - MASP (SP) O Museu de Arte de São Paulo (MASP) traz a edificação monumental em concreto, o minimalismo nos detalhes, os recortes singulares, o vão livre e a estrutura suspensa como um dos prédios mais marcantes da arquitetura brutalista paulista. 12 - MAM (RJ) Apesar do estabelecimento da arquitetura brutalista em São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi onde esse estilo teve seu início no Brasil. O MAM foi a primeira obra de concreto aparente do país. Lá estão presentes, o concreto, as grandes janelas com vidro e as colunas monumentais. O projeto é de Affonso Eduardo Reidy
MAM (Foto divulgação: Paulo Altafin)

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