Urbanismo e BIM

Urbanismo e BIM podem  trabalhar muito bem juntos porque o primeiro permite entender o que a cidade precisa, e o segundo amplia a eficiência.

O urbanismo é a disciplina que busca entender o que a cidade precisa em vários âmbitos. Neste aspecto, o BIM pode ser altamente eficaz para promover mais eficiência e desempenho das soluções oferecidas para uma localidade.

Leia mais neste post.

Quando o urbanismo e BIM se encontram?

O que é urbanismo? Definido como um profundo estudo das cidades, o urbanismo engloba arquitetura, planejamento urbano e a sociologia urbana, isso porque, em algumas definições, o termo também é apresentado como o modo que as pessoas interagem com o ambiente construído na zona urbana.

Em 1938, o sociólogo alemão Louis Wirth já definia urbanismo como modo de vida. Mas o que se via no urbanismo daquele período de Wirth era muito diferente do urbanismo de hoje. O que há de similar é que a forma com que as pessoas interagem com a cidade tem a ver com suas necessidades de cada momento.

Assim, o urbanismo trata desse planejamento urbano, que se transforma de tempos em tempos.

Em uma outra paisagem urbana, as pessoas do século passado não exigiam um transporte público de qualidade com agentes menos poluentes, pistas de ciclovia e caminhadas para preservar o meio ambiente, ou até mesmo a quantidade satisfatória de banda larga de internet para acessar os serviços públicos.

Atualmente, o urbanismo precisa valorizar o design, criar espaços públicos mais eficientes, recuperar áreas subutilizadas e entender a funcionalidade de todos os aspectos de uma cidade para a escala humana.

Além de estudar a mobilidade urbana, as soluções do urbanismo também precisam estudar melhorias para a infraestrutura de moradia, saúde, escolaridade e vários outros setores dentro do espaço urbano.

Por isso, atualmente, o novo urbanismo está ligado à tecnologia e inovação. É neste ponto que vai encontrar o BIM (Building Information Modeling), que trouxe um grande processo de digitalização para o setor AECO.

O BIM começa com uma otimização de tempo de entrega, precisão de orçamentos e  desempenho de obras residenciais, comerciais e de infraestrutura que foram construídas dentro dos parâmetros dessa metodologia.

O que o BIM oferece para a infraestrutura das cidades?

Mas, o  que é BIM? Essa metodologia permite projetos completos com a construção virtual das edificações, por meio de um modelo único inteligente, elaborado em volumetria e carregado de um banco de dados, que vai acompanhar o projeto durante todo o ciclo de vida da obra. O resultado é mais compartilhamento de informações, mais colaboração, menos erros, redução de desperdícios e menores retrabalhos.

O conceito da construção virtual do BIM ajuda a melhorar a realidade, por meio de simulações, antes da construção física. Ajuda a avaliar o desempenho das obras, por exemplo, de acordo com as condições climáticas, e até mesmo simular catástrofes naturais.

Como o BIM afeta o urbanismo?

O BIM pode aperfeiçoar o urbanismo em vários aspectos: permite análises dos conceitos da construção, rotas de fabricação e logística, além de melhorar o entendimento sobre como os edifícios interagem no ambiente urbano.

Com a tecnologia, é possível também melhorar a qualidade e as tomadas de decisão do projeto, porque melhora a visão criativa com apoio das soluções tecnológicas.

Isso significa que ao usar o BIM, é possível entender melhor o estilo de vida dos usuários e ocupantes de uma edificação, o design MEP e até a estética visual de cada construção e o que ela afeta na paisagem urbana.

Isso é possível porque a metodologia permite realizar uma análise do ambiente físico e análises energéticas e relacioná-las à interação com o meio ambiente da cidade e as mudanças que ocorrem nela, a partir das simulações.

Já a partir disso, é possível obter obras de infraestrutura com melhores desempenhos e menos custos, como via urbana, pontes, estradas, canalizações e outros elementos que fazem parte do urbanismo.

É possível também analisar como as edificações únicas podem afetar o microclima de uma cidade, por exemplo, um edifício pode alterar condições de ventilação, oferta de insolação e, com isso, até alterar a temperatura de um local.

O BIM vai permitir, além de um melhor projeto arquitetônico e melhores projetos complementares , também melhor planejamento, coordenação e gerenciamento em cada fase e depois um processo de operação mais aperfeiçoado.

Do BIM + GIS nasce o CIM

Se considerarmos que o urbanismo precisa encontrar soluções para os padrões de crescimento urbano, e a construção civil começa a adotar essa metodologia para obter melhores resultados para o setor, essa inovação também pode ser implementada para as cidades como um todo.

Neste caso, o BIM vai se associar ao GIS (Geographic Information Systems) ou SIG (Sistema de Informação Geográfica), que é uma tecnologia que concentra todas as informações geográficas de uma cidade, e com isso ocorre o nascimento do CIM (City Information Modeling), que pode ser definido como um BIM em grande escala.

Isso porque enquanto o BIM trabalha na escala das edificações, o CIM vai atuar na escala de uma cidade inteira.

É um modelo multiplataforma integrado, que leva em consideração a geometria da rede urbana e permite reunir informações de cada detalhe, fornecendo dados que trarão análises espaciais e conhecimento de cada pormenor dos elementos urbanos, permitindo projetar, planejar, analisar, gerenciar e operar edificações, vias urbanas, condições de tráfego, redes hidráulicas e elétricas, etc. 

Cidades Inteligentes

O CIM vai proporcionar um grande aperfeiçoamento no gerenciamento global de toda a rede urbana e promete grande melhoria para resolução dos problemas urbanos com um mapeamento inteligente, com dados cadastrais atualizados, possibilitados pela IOT (Internet das Coisas) e Big Data.

No entanto, ainda é minoria os municípios do mundo que já operam com essa tecnologia, o destaque vai para aquelas chamadas Cidades Inteligentes, como Hong Kong (China), Dubai (Emirados Árabes), Copenhague (Dinamarca), Montreal (Canadá), Amsterdã (Holanda) e poucas outras.

As cidades inteligentes têm sistemas urbanos inteligentes, utilizando também novas tecnologias, para atender ao desenvolvimento econômico, cuidar dos recursos naturais e das pessoas. Funcionam em conjunto com os governos, iniciativa privada e população. 

Por sinal, a comunidade tem voz ativa dentro do processo de modernização do urbanismo, com isso, os serviços públicos, como a Saúde e a mobilidade urbana, são muito mais eficientes nas cidades inteligentes.

Dentro desse conceito,  o CIM é uma ferramenta muito eficaz para garantir dados constantemente atualizados para promover mais eficácia no planejamento urbano.

A inovação advinda do CIM pode proporcionar um grande upgrade no urbanismo das cidades que adotarem a metodologia. Embora ainda pouco conhecida, essa plataforma começa a ganhar cada vez mais popularidade na arquitetura e urbanismo e também na engenharia civil. 

Área do Aluno

Selecione uma opção abaixo